Março 8, 2009...7:07 pm

As rosas do dia oito.

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por Camilinha

 

 

Dia 08 de março, o Dia Internacional das Mulheres. Durante a semana que antecede essa data (assim como tantas outras comemorativas) inúmeras propagandas comerciais de homenagens e vendas de “produtos femininos” às sempre sensíveis, delicadas, esposas, mães, ou seja, às mulheres- esteriótipos são veiculadas na mídia, além das rosas que nos são dadas nos estabelecimentos comerciais. Isso já é praxe.  

Mas nunca é demais, relembrar a real história do 08 de março, para percebermos, como, a sociedade capitalista absorveu essa luta (como tantas outras). Fato é que a principal referência histórica sobre o Dia Internacional da Mulher, remonta à II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em 1910, quando Clara Zetkin propõe uma agenda de lutas das mulheres trabalhadoras. Em muitos países, como Alemanha, Rússia e Estados Unidos, as mulheres socialistas comemoravam o Dia Internacional da Mulher, sem uma data oficial, unificada, nesse momento (início do século XX), as datas eram múltiplas e marcadas por dias de protestos e greves das mulheres trabalhadoras. A isso, agrega-se a história oficial das mulheres trabalhadoras de uma fábrica têxtil de Nova York, que, durante um protesto teriam sido trancafiadas dentro da fábrica e mortas por um incêndio criminoso. O dia 08 de março vira data oficial de comemoração, em 1922, após ter sido proposta em 21, na Conferência Internacional das Mulheres Comunistas.

E, como vemos, a real proposta do dia 08 de março, enquanto dia mundial de luta das mulheres trabalhadoras foi se perdendo, sendo absorvido pela sociedade capitalista, como apenas mais um chamariz para o consumo de produtos produzidos especialmente para as mulheres – produtos, formatadas como pede o mercado.

Enfim, o intuito desse pequeno texto é somente o de tentar trazer à tona que as mulheres trabalhadoras que iniciaram essa data, não tinham como proposta serem bombardeadas com propagandas comerciais e muito menos receberem rosas das lojas dos centros das cidades, elas não queriam rosas, queriam dignidade humana.  

1 Comentário

  • Pois é, Camilinha, no dia 08 também parei um pouco para refletir o quanto os discursos e produtos fabricados especialmente para as mulheres tentam difundir essa data como uma conquista.

    Todo ano, no dia em que se comemora o dia internacional das mulheres há quase sempre um discurso baseado em certa evolução dos direitos femininos. “Antigamente mulher não podia trabalhar fora de casa, hoje elas são maioria no mercado de trabalho”.

    Algumas mulheres sentem-se privilegiadas ao encontrarem um mercado que, hoje em dia, se preocupa com o seu bem-estar. Existe academia de ginástica só para mulheres, livros só para mulheres, além de uma infinidade de produtos feitos especialmente para a excentricidade feminina. Assim como você apontou muito bem, o capitalismo recupera uma luta e vende um ideal de feminilidade, enquanto que essas trabalhadoras buscam seus direitos – com a peculiaridade de serem mulheres – de classe.

    Inclusive, existe o seu próprio dia, o dia em que são lembradas porque são mulheres. Aquela mentalidade medieval em que eram vistas como histéricas, pecadoras, é coisa do passado. Agora ser mulher significa ser mãe, trabalhadora, companheira, amiga, sedutora. Existem mil exemplos de glória de como elas conseguem ser tantas coisas ao mesmo tempo!

    O engraçado é reparar que a exigência de se exercer diversos papéis na sociedade é uma demanda geral, seja você mulher ou homem branco, negro, índio, gay e etc. O mercado precisa de todos e a individualidade de cada um garante o consumo dos produtos feitos especialmente para o seu tipo.

    Enquanto isso, a grande maioria das mulheres ainda comemora as muitas conquistas femininas até agora, num domingo ensolarado de clássico do futebol paulista: Corinthians e Palmeiras, cozinhando o almoço e com uma cervejinha na mão , do marido. No entanto, já temos representantes (bem apresentáveis) nas mesas redondas da TV sobre futebol que, aliás, agora também é esporte de mulher.

    E é assim que tentam abafar nossas vozes, mostrando conquistas, discursos, produtos, agrados, que nem de longe vão calar nossa luta!

    Dany!


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