Agosto 8, 2008...3:54 pm

Dossiê Moradia Estudantil

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Por Taiguara

Olá Soprian@os,

Gostaria aqui de recolocar uma proposta que a Tânia introduziu pela lista de e-mail.

Numa de nossas idas e vindas de reunião, surgiu a idéia de se fazer uma espécie de dôssie a respeito da moradia estudantil.  Com certeza, um projeto que passa pela cabeça de todos aqueles que viveram na moradia , se envolveram de alguma maneira com o movimento estudantil e, hoje, vêem nas Universidades algumas conquistas históricas dos estudantes serem passadas como dádivas ou benevolências da burocracia que a administra. Afinal, são os nomes das gestões de reitoria e diretoria que aparecem nas placas de fundação e nos cerimoniais de inauguração dos blocos de moradia e de RU, e é assim que os recém-chegados recebem a coisa toda. Enquanto isso, a tradição de luta que deu origem a tudo aquilo esvai-se pelo ralo.

Entre as pessoas que estavam na conversa em que a idéia do projeto fora suscitada (Eu, Dany, Alex e Tânia), não se sabia exatamente do que se trataria isto que agora estou denominando dôssie, não soubemos definir a forma exata. Mas a essência da coisa e o objetivo consensual me pareceu esse: produzir algum tipo de material que resgatasse os processos de lutas dos estudantes, a partir do caso das ocupações de Marília, e que este material pudesse ter retorno prático tanto dentro como fora da Universidade.

Por isso, abro aqui a discussão. Chegamos a cogitar a geração de algo que envolvesse imagens de vídeos e fotografias (da época e a serem captadas), depoimentos, análise de documentos oficiais ou não, compilação de panfletos, manifestos, atas, cartazes e, claro, textos e análises nossas. Ah, deveríamos abordar com igual importância não só a ação política propriamente dita (reuniões, assembléias, posicionamento das entidades), mas também o ambiente cultural que cercava tudo isso e que é tão caro a consolidação de uma base política (Kanashiro, Nau, Trailler, escada, festas da Moradia, no Campus, 48 horas, etc.).

Calculo que não seja algo para estar pronto tão já, senão para daqui um ano, sei lá. Andemos com calma, sem pressa. Contudo, poderíamos, desde então, ir pensando em fontes documentais possíveis. Por exemplo, sei que a Simone, irmã do Ximbas, guarda um vasto material fotográfico das mobilizações que vivenciou e tem contato com ex-alunos que participaram do 1º Movimento de Ocupação, da década de 80, que deu origem aos dois primeiros blocos de moradia. E por aí vai!

Fiquei muito empolgado com tal idéia, porque penso ser um primeiro projeto viável, à justa altura do Sopros e de seus membros. Não estaríamos sendo artificiais, já que se trata de fazer o resgate de nossa própria trajetória dentro da faculdade e nem uma exercício editorial sem propósitos, uma vez que o produto final de nosso esforço poderia ser utilizado politicamente e, quem sabe, até nos cursinhos preparatórios pré-vestibular ou de curriculum normal, entre alunos que estão prestes a ingressar nesse universo, na recepção de calouros, etc. Para mim, é um tipo de atividade na medida do salto qualitativo que o coletivo deve dar e que consegueria combinar teoria e prática de um modo verdadeiro, já que vivenciamos intensamente o assunto de que estaríamos tratando e somos gabaritados para esta tarefa.

Eu, obviamente, tenho minhas sugestões particulares e proponho que isso seja colocado em discussão numa próxima reunião. Porém, gostaria antes de saber como os demais participante recebem esta idéia.

Abraços

4 Comentários

  • Olá pessoal!
    Eu acho a idéia do dossiê muito interessante. Possuo algumas fotos e recortes de jornais de algumas das nossas ocupações e atos em Marília. Também fiquei sabendo que um aluno da Filosofia – Bernardo – acabou de produzir um documentário sobre a moradia recentemente. O Zé Luiz possui o contato desse rapaz…
    Abraços
    Simone

  • Pois é sopros e sopras,
    Estarei em Marília na semana do dia 18. Creio que já pode ser uma boa oportunidade de, junto com a Tânia e a Mariana, explorarmos mais as possibildades desse dossiê.
    Será que alguém consegue uma filmadora? Usamos o R$ para isso?
    Conversei com a Simone (irmã do Ximba) e ela pode auxiliar muito, com materiais e contatos que ainda possui e com sua própria lembrança. Creio que poderíamos marcar uma data para discutirmos essa questão, junto com ela (e com outras pessoas, como o Théo) aqui por Sampa. Também conversei com o Davizinho e ele se mostrou muito empolgado em auxiliar em algo… Com uma ação mais pontual como essa, poderemos contar com a ajuda de muit@s…
    Vamos que vamos que a memória de baixo, diferentemente da de cima, não é seletiva e se lembra de tudo…
    Beijos,
    Alex

  • Soprian@os!
    Conversei com a Michele – uma amiga minha que cursou história em Assis e trabalhou um bom tempo com o Centro de Documentação e Memória da Unesp (CEDEM) – http://www.cedem.unesp.br/memoria.htm e expliquei pra ela um pouco dos nossos projetos. Ela ficou bastante empolgada com a idéia e se prontificou em auxiliar no que puder o nosso trato com a documentação. A participação dela seria-nos de grande valia, pois mais do que ter experiência no assunto, enquanto historiadora que trabalha justamente com documentação e memória, ela foi uma estudante da Unesp contemporânea nossa, e, por isso, sabe do que estamos falando.
    Assim, penso em convidá-la para uma próxima reunião presencial do grupo (que ficou previamente definida para os dias em torno ao 7 de setembro) para discutirmos melhor o projeto, se assim todos concordarem.
    Abraços,
    Taiguara

  • Acho que a idéia do dossiê pode ser de muita valia não só para os estudantes da unesp, mas pode ser algo que desperte interesse em diversas outras moradias, para quem sabe, a construção de seus próprios dossiês. Quando as coisas já estão conquistadas, prontas, facilmente se perde o grande valor que tinham para quem participou do processo de conquista, e daí a coisa descamba, quando se vê as reuniões para discutir os problemas referentes a moradia ficam cada vez mais esvaziadas, quando se vê os propósitos são cada vez mais individualizados, quando se vê a falta de comunicação e de qualquer tipo de relacionamento entre essas pessoas que poderiam construir algo em comum, se perdeu… E nessas, não se bate mais a porta do vizinho para pedir um pouco de leite, de arroz, cada um vai vivendo como se dá e a solidariedade entre os moradores é a mesma de um condomínio fechado num bairro de luxo, ostenta-se as aparências e cada um cuida das suas angústias dentro do seu quadrado…

    Beijos,
    Dany!


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