Julho 24, 2008...8:23 pm

Reflexão sobre a Greve dos Professores

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Pq os professores não lutam durante o recesso escolar?

Quando os professores possuem a possibilidade de lutarem integralmente, preferem ir à praia e assistir tv. Afinal, não há o inimigo a ser prejudicado: o aluno.

Agora que se encerram as aulas, os professores poderiam se dedicar integralmente a lutar pela questão educacional mas, contraditoriamente, encerram a luta. A mentalidade e o modelo de luta adotado pelos professores é a mesma dos metalúrgicos: parar de trabalhar, trabalhar de forma mais lenta, sabotar. No entanto, esse modelo é eficaz para os metalúrgicos, que conseguem afetar diretamente o patrão, enquanto na educação o único afetado é o aluno e seus pais, que não perdem tanto a aula, mas o direito de utilizar o espaço escolar. Contrariamente, os professores da educação básica deveriam seguir o modelo de luta adotado pela universidade no qual a pressão sobre os governantes não possui somente a fórmula única e velha de parar as aulas, não impede o uso da estrutura pública e envolve os alunos e a comunidade escolar em sua atuação. Fundamental seria iniciar formas de luta em que os alunos e pais não fossem prejudicados, com atos nos finais de semana, no recesso, com discussão e intrução coletiva sobre as questões educacionais. O recesso é um excelente momento para lutar, mas os professores preferem ir à praia. Depois virá novas paralisações, numa mentalidade onde se entende que a burocracia escolar é dona da escola e que o aluno é o inimigo. Ao menos não deveriam dourar a egóica preocupação salarial e carreirista com inúmeras bandeiras referentes aos problemas educacionais. Enquanto a luta por educação for sinônimo de exclusiva luta salarial e enquanto os usuários dos serviços públicos não se mobilizarem para exigir educação de verdade, os professores continuarão sozinhos. Solitários contra o gangsterismo sindical e solitários contra o governo, que não os quer ouvir.

1 Comentário

  • Chamar a luta salarial de ególatra é complicado, pois se trata de uma imposição do mundo do trabalho (consequentemente do mundo posto, construído sob sua alcunha), muitas vezes contraditória em si para o professor… E não concordo com paralizações nos finais de semana. Por mais que a causa seja válida, trata-se de um trabalho, e todo o desenrolado disso já está aí. Como se não bastasse todas as horas dedicadas a esse trabalho, ainda vamos nos debrussar os finais de semana nele? Por outro lado as paralizações poderiam ser mais aproveitadas, mais divulgadas entre os alunos, fazendo disso algum tipo de aprendizado também, mostrando a bizarrice que é a educação hoje, que ela ajuda a construir o mundo bizarro do trabalho, etc etc etc… é isso, beijos.


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